29 de abril de 2015

"Deus escreve direito por linhas tortas." Provérbio popular.



                         Imagem Google                                                      (Uma amiga contou-me...)
                                                                                                                                                         Estimados Leitores 

Antes de dar início  a mais uma história gostaria de colocar-vos uma questão: O leitor acha que "Nada acontece por acaso", "Que tudo é obra do acaso" ou que tudo o que acontece no nosso quotidiano, não passa de "meras coincidências?" Gostaria de conhecer a vossa 
opinião.



Todos sabemos que, no nosso quotidiano, surgem acontecimentos, alguns um tanto estranhos mas que, com a correria a que a Vida Moderna nos obriga, pura e simplesmente, caiem no esquecimento.

O episódio que passo a descrever é verídico pois sou testemunha ocular. Não aconteceu comigo mas com uma amiga, de longa data, que me pediu para que eu o escrevesse no meu blog. Respondi-lhe que, provavelmente, a sua história não teria muito interesse mas, se queria mesmo contá-la, eu o faria com muito prazer.

Confessou ela:

- Sabes que não percebo nada de tecnologias e os computadores, para mim, são um mal necessário. Gosto muito de escrever à mão e sentir o contacto do papel e da esferográfica. 

E contou-me a sua história. 

A princípio fiquei incrédula e, mais tarde, refleti muito sobre o assunto. Porém, não cheguei a nenhuma conclusão que satisfizesse o meu pensamento nem as minhas crenças. Pensei apenas: "É um Grande Mistério."

Escrevo na primeira pessoa. Portanto as palavras são da minha amiga:

- Como tu sabes, embora eu não seja muito praticante em relação aos preceitos da Igreja, sou Católica Cristã, acredito que Deus existe e acredito em Jesus Cristo porque Ele existiu na realidade e era um ser humano como nós. Sabemos que era humilde, que só praticava o bem e que protegia os mais humildes e desprotegidos, segundo registos históricos da época.

Apesar disso, eu sou muito cética em relação a muitos factos, sendo que, muitos deles podem ser explicados pela Ciência e que, alguns acontecimentos do dia a dia, penso que não passam de coincidências. Porém, o que me aconteceu fez-me refletir muito.

Conheces a doença do meu filho e as tentativas que os médicos do SNS têm feito para operá-lo. Porém, quando chega o momento, algo não está bem: seja do lado dos médicos, seja do meu filho: ou tem febre, ou tosse que nunca mais acaba, mesmo com xaropes e o meu filho chegou a uma situação em que tem mesmo de ser operado.

Porém, neste momento, os médicos do SNS não têm vaga e o meu filho está na lista de espera.
Até aqui conheces a história e conheces a nossa vida. Sempre trabalhámos para podermos amealhar para uma emergência. Só que as emergências chegam sem avisar e o estado do meu filho não se pode arrastar por mais tempo. 

Consultámos um médico particular que nos prescreveu todos os exames pré-operatórios e, logo que estejam feitos, ele marcará a cirurgia.
Na passada quarta-feira, fomos com ele fazer o último exame. Uma TAC. O meu filho tinha que estar em jejum.

Quando saímos já passava das dez. Procurámos um café e entrámos para que o meu filho tomasse o pequeno almoço. Ele tomou o pequeno almoço, eu e o meu marido tomámos um café.

Terminada a "refeição" levantámo-nos e os dois encaminhámo-nos para a caixa para pagar. Enquanto o meu marido pagava eu olhei, por acaso, para as diferentes raspadinhas que estavam dependuradas mesmo ali à nossa frente. Não sei se sabes mas eu nunca jogo em nada e penso, sempre, que a sorte será para alguém mas nunca para mim. 

Mas, não sei porquê, pedi ao meu marido que comprasse uma raspadinha de cinco euros.
Olhou para mim, muito admirado, e até me perguntou se eu estava bem, ao que eu respondi que estava em plena posse de todas as minhas faculdades mentais. Riu-se com a minha resposta, encolheu os ombros  e comprou a raspadinha. 

"Não te esqueças que me deves cinco euros." - Disse a brincar e com um sorriso. A senhora que nos atendia, também sorriu com este comentário. Na nossa casa há, apenas, uma carteira que está quase sempre vazia.
Depois de termos saído e durante os poucos minutos que levámos até ao carro, pai e filho não paravam de me "picar" e que "hoje é que iremos ficar ricos.etc.etc."

Entrámos no carro para regressar e eu não largava aquele cartão retangular que, quem sabe, talvez nos tirasse de "apuros".
Atei o cinto, tirei uma moeda do saco, comecei a raspar e logo apareceram os três símbolos da sorte. Em seguida comecei a raspar em forma horizontal. Três símbolos e... nada. Continuei a minha tarefa e o resultado foi o mesmo. Desanimada, comecei a raspar os três que faltavam. 

Mas aí já estava com o "coração nas mãos." Raspava só por obrigação e porque não tinha nenhum sentido aqueles três símbolos escondidos, ficarem lá sossegadinhos sem se mostrarem. Raspei um, depois o outro e, desanimada, pensei que fora uma tonta e, zangada comigo própria, comecei a "chorar" aqueles cinco euros que tanta falta faziam. "E pronto! - Pensei. Falta apenas um!"

Quando comecei a raspar o último, comecei a vislumbrar as suas formas e as minhas esperanças voltaram. Quando terminei, olhei umas quantas vezes aquele símbolo e o símbolo da sorte e vi a quantia por baixo. Sem poder conter-me e, agora com a certeza de que tinha prémio, explodi em voz alta: 

Não pode ser! Não pode ser!
O meu marido, desviou os olhos da estrada, por um segundo, olhou-me,  e perguntou se eu estava bem, seguido de: "Mas... o que é que não pode ser?!"
Em vez de lhe responder pedi-lhe que, logo que pudesse, que parasse.

Poucos metros percorridos o meu marido encostou à berma e, logo depois, estendi-lhe aquele "bendito" retângulo de cartão ao mesmo tempo que dizia: "olha bem porque posso ter-me enganado."

Pegou nele e, tal como eu, ficou incrédulo:  "Não pode ser! Não acredito!" E eu: "Pode ser, sim! Tens a prova à frente dos olhos." Naquele momento já estava convencida."

No banco traseiro, o meu filho só perguntava se tinha prémio e pedia ao pai para que lho mostrasse. 
Sabes como são os adolescentes. Depois de ver o valor do prémio ficou hilariante. Bem, só faltou sairmos todos do carro e atirarmos pulos de contentamento.
Sabemos que os adolescentes não têm bem a noção do valor do dinheiro. Depois de ver a quantia perguntou todo animado: 

"Quer dizer que vamos ficar ricos?!"
E eu: "não filho! De maneira nenhuma! Não é muito mas talvez chegue para a tua cirurgia."
"Oh! E eu a pensar que era uma fortuna!"
Foi a minha vez de responder: 

"Aprende uma coisa, filho. É claro que este dinheiro veio até nós como se tivesse caído do céu. Embora não seja nenhuma fortuna é uma grande ajuda neste momento difícil. E temos que agradecer a Deus."

Pareceu ter caído em si e respondeu com a tristeza estampada no rosto: "Se não fosse a minha cirurgia esse dinheiro dava para os pais guardarem! E assim vão ficar sem nada!"
E eu: "Escuta. Não tens que preocupar-te. Com ou sem este dinheiro, tens que aprender uma coisa: a saúde é o bem mais precioso que Deus nos pode dar. 

E, bem sabes que não estávamos à espera deste dinheiro para a tua cirurgia. Veio no momento certo e temos que ficar agradecidos, a Deus, ao Destino ou pode ter sido, apenas, uma boa coincidência. Mas não fiques assim. Havemos de sobreviver."

"Parabéns mãe. Hoje foi o teu dia de sorte." Respondi: "Também penso que sim e estou felicíssima! E, ainda mais, porque nunca jogo! Realmente dá que pensar! Mas, a minha sorte e a minha grande felicidade é que todos tenhamos saúde: tu, os manos, eu e o pai. E, claro: toda a família."



A quantia não é elevada mas dá para pagar a cirurgia do meu filho.
Depois da euforia dos primeiros minutos e já mais calmos, comecei a refletir sobre o que acabava de acontecer. O meu marido que (diga-se em abono da verdade, é mais cético do que eu), deve ter refletido bastante porque, alguns minutos depois, perguntou-me: 

"Acreditas em Milagres?" É claro que não tinha uma resposta clara e tive de procurar as palavras que achei mais adequadas: "Não sei se acredito. Porém, o que acaba de nos acontecer dá para pormos tudo em causa." Depois brinquei: "Mas acredito que o teu ceticismo "ande pelas ruas da amargura!"
"Acertaste em cheio!"

Depois do sucedido, eu e o meu marido falamos muito acerca deste episódio e ambos chegamos à mesma conclusão. "Nada acontece por acaso."


Depois de ter terminado, a minha amiga abriu o saco, tirou o recibo comprovativo e estendeu-mo:
- Como vês não inventei esta história.
- E tu sabes que, em nenhum momento da tua narrativa, eu pensei que fosse invenção tua!

Conhecemo-nos desde os bancos da escola, sempre fomos e continuaremos a ser as melhores amigas.
- E foi em nome da nossa amizade que fiz de ti a minha confidente.
- E eu fico muito agradecida por teres confiado em mim. É um segredo só nosso e podes ficar tranquila que, por mim, nunca será revelado. A partilha é, também, uma grande prova de Amizade.

Depois de me ter contado a sua história, ambas saímos do escritório, entrámos na cozinha e, daí a pouco, tomávamos o nosso cafezinho em frente da lareira acesa. 

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