21 de dezembro de 2012

Felícia. Parte - 20 - continuação e fim.



                   Imagem Google
- Então até amanhã meu Anjo. 
Debruçou-se sobre ela, abraçou-a e beijou-a. E a menina retribuiu. 
Teresa desligou a luz, fechou a porta e entrou no corredor.


Aí ficou uns segundos a pensar naquele gesto de que não estava à espera e pensou: "a verdade sai da boca das crianças. Neste caso específico aquele gesto saiu do seu coração."

E, depois de tanto ter sofrido, sentiu uma calma, uma paz e uma tranquilidade incomensuráveis. 
Já deitada ao lado do marido comentou:
- Penso que hoje foi um dos dias mais felizes da minha vida! O outro foi o dia em que unimos os nossos destinos. 

- Bem-vinda ao clube! Podem chamar-me louco, mas acredito que um Ser Superior olha por todos nós. E fazendo uma retrospetiva do nosso percurso juntos, só posso chegar a esta conclusão. E esta criança surgiu nas nossas vidas para completar a felicidade que nos faltava. Acreditas? 
- Tal como tu, também eu acredito.

- Se sou muito ou pouco crente também não consigo avaliar. Porém, é assim que penso. 
 Pouco depois despediram-se com um abraço e um beijo e com o coração a rejubilar de Felicidade. E desejaram um ao outro um Feliz Natal.
Felícia, a cair de sono, deitada naquela que era agora a sua cama, não pôde impedir que o seu pensamento voasse ao encontro do seu querido avô, assim como não conseguiu reprimir uma lágrima. 

E, apesar de sentir-se acarinhada por todas as pessoas que conheceu naquela noite e lhe demonstraram afeto, o avô velhinho estaria sempre no  seu coração.
 Depois pensou nas fotos e naquela que estava sobre a cómoda e o seu coração sossegou. E, com este pensamento que lhe trouxe uma grande paz, conseguiu, enfim, dormir como um Anjo.  

No dia seguinte, quando acordou, as primeiras palavras que pronunciou para Gonçalo e Teresa, estavam cheias de entusiasmo e alegria:
- Eu vi o avô velhinho! Ele estava aqui junto de mim, deu-me um beijo e depois tapou-me e disse-me que era para eu não apanhar frio. E disse-me também, que se tinha transformado numa estrela do Céu para poder visitar-me. 

E prometeu-me que viria todos os dias.
Naquele momento, o casal calculou que a menina tinha sonhado e ambos ficaram admirados com todas aquelas frases ditas de um só fôlego, ela que mal sabia falar. Porém, refletiram melhor, olharam-se ao mesmo tempo e, de repente, pensaram o mesmo.  Teresa chegou-se junto do marido para que Felícia não se apercebesse e segredou-lhe:

- Estás a pensar o mesmo que eu?

- Penso que sim! Talvez, inconscientemente, Anselmo esperasse, apenas e só, por alguém que tomasse conta da sua netinha, que a amasse,  acarinhasse e a protegesse tal como ele. 
- Também penso o mesmo. No entanto, todos sabemos que há muitas coisas que acontecem, para as quais não existem explicações. E, infelizmente, esta ficará, para sempre, marcada por um ponto de interrogação.

Na noite seguinte, já todos estavam deitados quando, de repente, Teresa que estava ainda acordada, viu um grande clarão encher o quarto. Achou estranho, pois durante o dia o céu esteve limpo e não havia sinais de que chovesse durante a noite. "De qualquer modo - pensou - vou verificar se os estores estão bem fechados." Percorreu todas as divisões e viu que estava tudo em ordem. Voltou a entrar no quarto, abriu a janela, olhou o Céu e viu que havia luar.
"Que estranho! - pensou. Diria que foi um grande relâmpago!"

Voltou a olhar o firmamento até os seus olhos se habituarem à escuridão do horizonte. De repente, lá no Alto, viu o que parecia ser uma pequena estrada estreitinha semeada de estrelas cintilantes. Porém, uma delas brilhava com mais intensidade, destacando-se das outras. Ficou intrigada, pois juraria que, momentos antes, aquela estradinha de estrelas não estava lá. E estava mesmo ali sobre a sua casa.

Tal como um relâmpago, afloraram ao seu pensamento aquelas palavras que Felícia lhes tinha dirigido, naquela manhã, ao acordar. Teresa olhou aquela estrelinha mais brilhante, uniu as mãos e disse, baixinho, sem desviar os olhos:

"Meu Querido Anselmo! Meu Grande Amigo! Nada receies! Nós cuidaremos da tua netinha e amá-la-emos como se fosse a nossa filha.

Não posso saber onde estás neste momento. Estejas onde estiveres, quero que saibas, que eu e o Gonçalo só desejamos que fiques tranquilo e que encontres aquela paz que tu bem mereces. E desejo, ardentemente, que Alguém acima de nós, te faça chegar esta mensagem que é ditada pelo coração."
E, sem desviar os olhos, ainda teve este pensamento: "Deus Seja Louvado!"      
                                                        
                                                                     Fim.   
                                                                    Caros Leitores 

Hoje dou por terminada a história de Felícia. Ela encerra uma mensagem de amor, de pazde fraternidade, entre outras, sentimentos que, pouco a pouco, vão caindo no esquecimento.
Os meus votos mais sinceros para o Ano que se aproxima, apesar de todas as dificuldades, são votos de Saúde, Alegria, Paz e Amor. Aquele  Amor ao Próximo que, muitas vezes, não faz parte do nosso vocabulário. 
Votos de Festas Felizes e que o Novo Ano vos traga tudo de bom                                                                                                   Lena Mota                         
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